Barro
Sobre la pared, el barro se seca y cae.
El proceso se sostiene en esa transformación.
El proceso se sostiene en esa transformación.
Las imágenes no describen el paisaje.
Registran su duración.
Registran su duración.
Las taperas aparecen como resto.
No representan, permanecen.
No representan, permanecen.
El viento lo invade todo.
La materia cede.
La materia cede.
Técnica: Videoinstalación
Imágenes: Andrés Boero Madrid
Sonido: Rubén Valdés
Exhibición: Espacio de Arte Contemporáneo, Montevideo
Temporada: 26 / Sala 4
Año: 2017
Imágenes: Andrés Boero Madrid
Sonido: Rubén Valdés
Exhibición: Espacio de Arte Contemporáneo, Montevideo
Temporada: 26 / Sala 4
Año: 2017
Texto curatorial – Manoel Silvestre Friques
Barro, retrato do homem
Tempo, homem, família, natureza. Ao longo de seu percurso criativo, Andrés Boero Madrid articula recorrentemente estes temas em trabalhos que, não raro, conjugam suportes artísticos distintos. Vídeo, fotografia, objets trouvés culturais e/ou naturais, dentre outros materiais, são entrelaçados em videoinstalações e livros de artista como “Brazo de Monte” (2014), “Caudal” (2014) e “Hum” (2016). Nestes trabalhos, investiga-se o compasso da memória, dentre continuidades e descontinuidades, fluxos e permanências, esquecimentos e rememorações. Resultam destas composições paisagens afetivas nas quais o que conta é menos a descrição documental dos elementos do que as agências relacionais que eles
evocam e estabelecem.
Na videoinstalação “Barro” (2017), estas questões se colocam de modo bastante singular. Instalado em uma das celas do Espacio de arte contemporaneo de Montevideo, o trabalho registra a impermanência. Aqui, contudo, dois processos se sobrepõem em permanente tensão. Por um lado, tem-se a transformação do barro em anteparo para a projeção. Andrés propõe um deslocamento da terra – em geral, disposta sob nossos pés – do chão à parede. Esta passagem da horizontalidade à verticalidade pode ser lida de diversas maneiras. Proponhamos duas. Em primeiro lugar, ao ficar de pé, o barro fita o homem naquilo que, segundo diversos autores, o diferencia dos animais. Ao invés, contudo, de lhe devolver a sua verticalidade transcendental, o barro resseca, sucumbe à gravidade. Diante das intemperes, o barro, em toda sua materialidade, não resiste. O barro cai: este não seria o retrato adequado do homem?
evocam e estabelecem.
Na videoinstalação “Barro” (2017), estas questões se colocam de modo bastante singular. Instalado em uma das celas do Espacio de arte contemporaneo de Montevideo, o trabalho registra a impermanência. Aqui, contudo, dois processos se sobrepõem em permanente tensão. Por um lado, tem-se a transformação do barro em anteparo para a projeção. Andrés propõe um deslocamento da terra – em geral, disposta sob nossos pés – do chão à parede. Esta passagem da horizontalidade à verticalidade pode ser lida de diversas maneiras. Proponhamos duas. Em primeiro lugar, ao ficar de pé, o barro fita o homem naquilo que, segundo diversos autores, o diferencia dos animais. Ao invés, contudo, de lhe devolver a sua verticalidade transcendental, o barro resseca, sucumbe à gravidade. Diante das intemperes, o barro, em toda sua materialidade, não resiste. O barro cai: este não seria o retrato adequado do homem?
O barro disposto verticalmente alude também às casas de taipa bastante populares nos interiores de países latino-americanos. Diferentemente das arquiteturas moderna e pós-moderna, estas construções integram-se, a seu modo, a seu entorno imediato, estabelecendo continuidades entre dentro e fora, interior e exterior. Tais edificações não estabelecem, pois, um corte na natureza: ora, é justamente esta espécie de integração que focaliza o vídeo projetado sobre o barro. Todavia, se o barro sobre a parede sucumbe frente às intemperes invisíveis, o vídeo as revela em toda sua potência: eis a tensão. As imagens exibem ventos, chuvas, nuvens, sombras, toda sorte de forças naturais que incidem não apenas nos elementos da natureza (plantas, galhos, cavalo etc.) mas também naqueles rastros da construção humana. Sendo assim, o vídeo expõe também o processo temporal de decomposição de casas e moradias, enquanto rastros humanos e ruínas que cedem passagem à natureza. É aqui que reside uma das grandes forças de “Barro”: diante do fatalismo anunciado pelas agruras do Antropoceno, a videoinstalação nos lembra que o homem pode destruir a natureza, acabando, por fim, consigo mesmo. Mas a natureza, no tempo geológico de suas transformações, permanece, reavendo tudo que, um dia, foi ilusoriamente construção.